domingo, janeiro 13, 2008

Mente, Cosmos e Consciência




A principal característica do universo é a mudança e o movimento.


Até as mais profundas águas do globo estão em constante movimento.


Tudo no universo é cooperação e energia. A energia é essencialmente cooperativa.


O Homem faz parte do todo, nele está inserido e nele influencia.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

NATAL, E NÃO DEZEMBRO









Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio,
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos, e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.


Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
Das mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal consoada.








David Mourão Ferreira, 1962

domingo, dezembro 09, 2007

ESCRITA





A minha escrita
é vertical,
de cor incerta
e odor de murmúrios

em cada sótão
uma gaveta
em cada gravata
memórias

como estátuas
vivas
as palavras
brincam comigo
na praia secreta
no eterno rio.

Só tu minha
folha de cristal
branca de tão lisa
conheces esse
sabor imemorial!

quarta-feira, novembro 28, 2007

COMPROMISSO

Pertence-te
ser homem, afirmar
todos os dias
que tens um compromisso:
ser claroe brando
como a luz
e, como ela, necessário.
E não deixar
crescer à tua porta
ervas daninhas.

de Albano Martins

Eugénio II


segunda-feira, novembro 05, 2007

Eugénio

Obstinado o Poeta Eugénio de Andrade
– No rigor de um Tempo


“ – Que posso eu fazer
senão beber-te os olhos
enquanto a noite
não cessa de crescer?”
in Ostinato Rigore



Cresci, para a poesia, com sua lírica com a sua música, os seus cavalos alados, alargando a minha imaginação, fazendo do pequeno verso a poção mágica da inspiração.
Aconcheguei o peso das desilusões ao ombro da seus poemas e os seus livros estavam inscritos na glória eterna da poesia que nos salva, como religião secreta de alguns.
Abriu o mundo das flores e dos frutos e das mãos que os trabalham. Fui compreendendo que um parto também é dor, não apenas felicidade e ilusão.
Experiência de leitor e fazedor de poesia, experiência de uma influência que me marcará para além do tempo, o seu tempo de vida. A liberdade, a beleza, a justiça, o amor, tudo é face branca, de um rigor lúcido, perante um mundo, cuja desagregação ética ia observando.

A poesia, bela no seu traço, feminina, -de tão- permitindo-me aceder a esse mesmo universo, feminino, de forma mais leve e subtil, pela sua voz secreta.
Poeta maior, entre grandes, admirável mundo aquele aberto, num tempo de realidade social, franco, sem medo optou, trilhou um caminho único, só seu, até o Portugal, do seu coração, pequenino o seu país, o descobrir e com ele o mundo, como testemunham as imensas traduções (logo a seguir a Fernando Pessoa).

Sem divida nem dúvida, com o cravo na mão, passeio entre as tuas páginas admirando os horizontes que dos teu dedos nasceram, em cada cultor do teu trato da palavra, do trato com o mundo.

Admirável dia este em que rosas se abatem nesta cidade de eleição, o Porto, abençoada de poetas, esperemos, não esquecida, da tua estética.

14 de Junho de 2005
Joaquim Paulo Silva,

quinta-feira, novembro 01, 2007

Inocência






Nenhuma rosa

é inocente. Nem mesmo

o seu perfume. Que este

fere

às vezes

como os alfinetes

dos seus espinhos


Albano Martins