A questão dos “Intelectuais”, melhor, a questão do papel histórico do intelectual, questão derivada da ênfase atribuída pela formulação Comunista, visando a sedução do pensador pela dinâmica de transformação histórica da sociedade, mantêm-se como objecto de discussão, pelo menos na revisão dos comentários e outra prosa escrita em revistas e suplementos jornalísticos, apesar da notória dessa carga ideológica inerente à derrocada política do Leste Europeu.
Alguns analistas, têm vinculado a ideia de «fim» desses míticos intelectuais, grandes pensadores da história e organizadores das metanarrativas do mundo hodierno, que, prácticamente desde o Iluminismo vinham ordenando as fracturas ideológicas mais importantes no pensamento e acção sócio-política da humanidade, através das suas obras escritas fundamentais, que apresentavam, em simultâneo, um pensamento tendencialmente uniformizante e totalizante, isto é, partindo da análise unidimensional do Homem(ora só psíquica, ora só económica, ora só social, ora só ideológica). Rousseau, Vico, Kant, Hegel, Marx, Sartre, entre outros são expoentes deste tipo de pensamento que formatou a dita modernidade.
Digamos, que a ideia em circulação no mundo das letras e das ideias, na actualidade, é que no tempo histórico que atravessamos a sociedade parece incapaz de produzir pensadores dessa dimensão, dessa grandeza!...
Qual fim da história, antecipado por Fukuyama(afinal um pensador dos nossos tempos...).
No entanto, perdoem-me esses analistas, mas o meu ponto de vista é radicalmente oposto, discordando da situação focal em que o debate está colocado.
Ponto 1: O intelectual será, por definição, não aquele que usa o intelecto, e portanto o pensamento, pois essa é a função inerente a toda a humanidade, mas, pensar o homem em função da sua história, da história do mundo, da sua situação na variedade cósmica, reflectindo sobre os sentidos da vivência colectiva, da organização das sociedades e das formas de evolução/involução humanas, fazendo luz sobre as sombras do presente e as incógnitas do futuro.
Ponto 2: Neste quadro, parecem-me inúmeros os homens que se inscreveram com estas qualidades, desde as profundezas seculares, movendo a humanidade pelos líames da evolução e construção civilizacional.
Ponto 3.: Todo o intelectual se insere num quadro mental que no plano social e cultural se inscreve na sociedade e época em que participa, embora o seu quadro conceptual possa ir muito além dos mesmos; significando isto que não pode ficar imune às influências da sua época, na forma como organiza e expõe as ideias, que material simbólico e ideológico coloca nas suas produções intelectuais. Quero dizer que não podemos comparar num plano meramente teórico, Santo Agostinho e Hegel, ou Padre António Vieira e Eduardo Lourenço. A distância secular e dos modos de vida das sociedades em que se inseriram tornam-nos quase estranhos, no entanto estão irmanados pela pertença à família daqueles que utilizaram o seu intelecto como forma de subir mais degraus na consciência civilizacional, inserindo-se na intemporalidade do pensamento.
Deste modo, e esta é minha tese, não podemos afirmar que pelo facto de os intelectuais de hoje partirem, nas suas obras do seu quadro epistemológico disciplinar, tentando perceber o que os rodeia, alargando progressivamente o seu campo de acção intelectual, deixem pura e simplesmente de serem intelectuais, ou que já não existam mais. Apenas as condições épocais de exercício do pensamento são hoje diferentes, por força da dominância da matriz científica disciplinar que predominou no século XX. Mas, não podemos afirmar que Edgar Morin, Basarab Nicolescu, Fritjof Capra, Boaventura de Sousa Santos, Carl Sagan, entre muitos outros, não sejam intelectuais no sentido global que supra referi, pois todos se inserem num caminho mental de iluminação do conhecimento humano como referi no Ponto 1.
A natureza profunda do intelectual actual está a afastar-se da imagem adquirida entre os últimos dois séculos XIX e XX, das metanarrativas por eles criadas de progresso e utopia baseada na totalização de um vector da acção humana(economia ou política, psicologia ou tecnica, sociologia ou antropologia), porque a sociedade e os seus valores estão a transitar rapidamente de um modelo estável para um modelo volátil, e volatilizado pelo excesso continuo e diário de informação, apelo ao consumo, status, e tecnologização, onde o papel do intelectual procura a sua nova função, sem deixar de existir enquanto pensador autonómo e liberto das amarras do tempo no plano do pensamento, que não no plano da sua vivência social e cultural.
Não estamos no fim da história dos intelectuais, porque aí estaríamos no fim da história da humanidade.
Prometo voltar a este assunto em próximo texto.
O POESIS afirma-se como um Projecto Cultural Total. Um Espaço aberto, desinibido de barreiras disciplinares, visando a promoção de projectos culturais inovadores. Espaço holístico, poético de reconcialiação humana e visão cósmica. POESIA_ ARTE_CIÊNCIA_ESPIRITUALIDADE
terça-feira, fevereiro 26, 2008
Um Mendigo à Minha Porta
Um Mendigo à Minha Porta
Entre as folhas
e as flores
segues
lento de asa
como um cão abandonado.
A brisa aspiras como
um Deus
em pequeno corpo
decantado
do ilusório mundo
quase apartado.
Entre as folhas
e as flores
segues
lento de asa
como um cão abandonado.
A brisa aspiras como
um Deus
em pequeno corpo
decantado
do ilusório mundo
quase apartado.
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
Meditação

"Agora visualizemos com o olho da mente, à distância de aproximadamente um braço à nossa frente e ao nível de nossa cabeça, um grande trono dourado, adornado com muitas jóias. Quando essa imagem estiver nítida, continuem visualizando um puro lótus branco em plena floração pousado sobre esse trono.Essa flor é imaculadamente viçosa e não apresenta absolutamente nenhuma falha nem descoloração. Por dentro os lótus constituem-se de discos, primeiramente o sol e depois a lua. Eles se sobrepõem como duas almofadas redondas. Sobre esse assento especialmente preparado, senta-se o Buda Shakyamuni."
in a Energia da Sabedoria, Lama Yeshe e Zopa Rinpoche
poems

I
Um pranto. Uma pena. Um poeta.
E choramos, nunca tanto,
por quem ousa
intenta libertar-nos
do que nos resta.
II
O som do caminho
passa
e nós com ele
a arrastarmos a vida baça.
III
Há rumores...
Um tempo de medo e cobardia.
Afia soldado, afia, teu cabo e espada
cordel como lança e cabelos
ao vento na crina
aguardam o seu tempo.
Há rumores soldado... sobre
o teu rosto limpo, por quem
os cobardes suspiram a medo.
IV
Os teus olhos reflectem
os dedos afagando-se
em segredo.
A medo o corpo
entreabre a blusa
um suspiro
antes do seu degredo.
Um pranto. Uma pena. Um poeta.
E choramos, nunca tanto,
por quem ousa
intenta libertar-nos
do que nos resta.
II
O som do caminho
passa
e nós com ele
a arrastarmos a vida baça.
III
Há rumores...
Um tempo de medo e cobardia.
Afia soldado, afia, teu cabo e espada
cordel como lança e cabelos
ao vento na crina
aguardam o seu tempo.
Há rumores soldado... sobre
o teu rosto limpo, por quem
os cobardes suspiram a medo.
IV
Os teus olhos reflectem
os dedos afagando-se
em segredo.
A medo o corpo
entreabre a blusa
um suspiro
antes do seu degredo.
sábado, fevereiro 02, 2008
Eu hei-de escrever-te um rio
Eu sei de um poema
que se fez rio algemado...
de um rio algemado
que rasgou a montanha...
da montanha amarratoda
que se abriu em papel de carta...
eu hei-de escrever-te um rio
que não caiba em carta alguma!
eu hei-de beber-te em poema
que não caiba dentro de mim!
José Magro de Melo (pseudónimo)
Poeta do Poesis
que se fez rio algemado...
de um rio algemado
que rasgou a montanha...
da montanha amarratoda
que se abriu em papel de carta...
eu hei-de escrever-te um rio
que não caiba em carta alguma!
eu hei-de beber-te em poema
que não caiba dentro de mim!
José Magro de Melo (pseudónimo)
Poeta do Poesis
quarta-feira, janeiro 30, 2008
Akhenaton (ainda)

Neferkheperura Waenra Akhenaton - Amenhotep IV
(cerca de 1350 a.C.)
(cerca de 1350 a.C.)
Segundo filho de Amenhotep III com Tiya, o faraó Akhenaton é considerado, por uns, como visionário, revolucionário e idealista; por outros, apenas como herético. Poeta e reformador das artes, a verdade é que ele foi responsável por um dos mais importantes momentos da História do antigo Egito.
É por seu intermédio que pela primeira vez a história da humanidade registra a adoção de um deus único, ou seja, é o primeiro momento conhecido em que o homem adota a figura do monoteísmo. Seu deus Aton era representado fisicamente pelo disco solar.
Fundou uma nova capital, à qual deu o nome de Akhetaton (Horizonte de Aton). Abandona a então capital Tebas, e vai com sua corte habitar a nova cidade-capital, que teve a duração de somente 12 anos aproximadamente.
Akhenaton reinou por cerca de 17 anos, vindo a falecer de forma até agora desconhecida. Embora alguns estudiosos afirmem que sim, até agora não há qualquer dado concreto referente a uma possível descoberta de sua múmia.
Com sua morte, acaba a reforma religiosa, que obteve repercussão no campo artístico e político.
Como conseqüência dessa nova concepção religiosa, o antigo Egito foi palco de uma profunda revolução dos tradicionais cânones artísticos de então, adotando características do realismo e do naturalismo. A partir desse momento, a imagem atlética do faraó é negada, passando então este a ser representado com suas características naturais, às vezes até de forma exagerada, beirando a caricatura. As cenas comuns retratadas referem-se àquelas do seu convívio cotidiano com a família, no palácio ou em adoração ao novo deus Aton.
Casado com Nefertiti, teve seis filhas, sendo que também lhe é atribuída a paternidade de Tutankhaton/Tutankhamon, que seria seu filho com a segunda esposa de nome Kiya.
Egipto: Akhenaton

O Faraó Akhenaton trouxe uma nova concepção de religião monoteísta em louvor a ATON, deus sol e a arte refletiu a nova realidade: as coisas deveriam ser vistas como eram sem convencionalismos.
É desta época também a cabeça da Rainha Nefertiti, esposa do faraó AKhenaton cujo original pode ser visto no Museu de Berlim, Alemanha.
Subscrever:
Mensagens (Atom)