sábado, janeiro 24, 2009

Homenagem a Fernando Peixoto

No próximo dia 31 de Janeiro, pelas 21.45, a Tuna Musical de Santa Marinha, com o apoio do Curso Superior de Teatro da Escola Superior Artística do Porto, do Teatro Arado, da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Gaianima e da Junta de Freguesia de Santa Marinha, homenageiam o Poeta e Homem de Teatro, Fernando Peixoto, numa noite de evocação, com a presença dos seus amigos, colaboradores e alunos. Através da poesia e das palavras evocarão a obra literária e pedagogia deste cidadão do mundo que entregou a sua vida á obra social, politica e cultural de Vila Nova de Gaia e da Freguesia de Santa Marinha.Estará patente na sede da Tuna Musical de Santa Marinha uma exposição biográfica do autor.

Contamos com a sua presença.
Gilberto Albuquerque (Presidente da Tuna Musical de Santa Marinha

quinta-feira, janeiro 15, 2009

OS DIAS E AS NOITES




I


Escrevo ao longe os dias e as noites
no papel barato do rascunho, e
nos invariáveis contornos do desenho livre
em madrugadas claras tranco-me no teu círculo
enrolo-me nos seus raios
à espera de me acomodar e
adormecer sobre o diâmetro
estendo-me nele, esticando as pernas,
e prendo-me na elipse
que se alongou no meu espreguiçar.

Estendo as mãos e
os dedos espalham-se para roçar a tua pele,
estremeço e baloiço os braços
para não te deixar para longe do meu peito;
no desequilíbrio das linhas
rasgo dois arcos medidos nos graus
que se retalham na amplitude do abraço,
para te coroar no topo da hipérbole.

Ao encontrar a parábola,
estava perdido de mim e
do papel principal;
não mas adormecerei sobre o diâmetro
nem me tentarei pelas hipérboles;
não lutarei por um papel na tua parábola
nem rasgarei a geometria do poema.


José Costa e Silva, Poesis, Janeiro 2009

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Clube Literário do Porto- Agenda



:: Dia 17 Sábado
Auditório
18h00
Conferência com...
Nadir Afonso
«A ARTE E O UNIVERSO»
apresentação de Carlos Magno.


terça-feira, janeiro 06, 2009

Um Poema







Um poema não
é o estorvo
da alma:

é a expectante fuga
à tenacidade da morte.

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Lembram-se? Aqui vai uma 3ª edição...


O Que nos Empobreceu em 2008:


António Alçada Baptista nasceu em 1927 na Covilhã. Licenciado em Direito, esteve ligado ao jornalismo e à edição. Em 1971 publica o seu primeiro livro de reflexões Peregrinação Interior IPeregrinação Interior II, publicada em 1982. Seguiram-se entretanto as obras O Tempo Nas Palavras, Conversas Com Marcello Caetano e Os Nós e os Laços. Catarina ou o Sabor da Maçã; Tia Suzana, Meu Amor e O Riso de Deus, A Pesca à Linha - Algumas Memórias, um livro que se assume como uma obra de memórias, recordações, lucidez e ironia, e à qual não é alheio o profundo sentido afectivo que caracteriza a escrita deste autor.Como cronista e defensor da liberdade Alçada Baptista publicou em Outubro de 2002 Um Olhar à Nossa Volta, o testemunho de uma vivência colectiva registada na década de 70 e 80 marcada por inquietações político-sociais.
Faleceu a 7 de Dezembro de 2008, em Lisboa

1989 - 2009 20 anos de POESIS



1995:

A. André

Em Outras margens

I

Hoje nos nús encontro cadáveres

dançantes - cada instante é morte

creio no riso quase morto

tentp negar o espanto perante a comédia

réstea de diferença ignorância

neste social que lentamente mata

rasgando atitudes perante a morte

fictícia deslumbrante e maldita

nasce a ocasião de estar

onde nunca hei-de chegar

Rir dos mortos - talvez seja loucura

o sonhar as imagens que correm

descontroladas que se desencontram

No clímax uma só imagem

deserta tenta sentir na escuridão

entristecida na coragem chega o dia

a luz sempre bendita

para alguns para mim maldita

Clamando a grande reviravolta

desprezando o desejo do dia e à noite

são entoados cânticos à venerável

num ritual alegre - balada do não ser

Fografando a medusa da hipocrisia

que é vencedora nos ossos do ofício

de existir alguém concentra a dor

Entretenham-se nesta ousadia louca