quarta-feira, setembro 19, 2007

Um Mendigo à Minha Porta







Entre as folhas
e as flores
segues
lento de asa
como um cão abandonado.

A brisa aspiras como
um Deus
em pequeno corpo
decantado
do ilusório mundo
quase apartado.

quarta-feira, setembro 12, 2007

IRREALIZÁVEL










O meu desejo
é a cor do teu cabelo
o pestanejar indeciso
dos dedos
a nobreza permissiva dos
teus braços
é o tudo e nada
que ruboriza as faces
e o torna irrealizável
nas galáxias distintas
onde residem nossos sonhos.

terça-feira, setembro 11, 2007

Rosa

Se ainda sabes
como se desbulha uma rosa,
pergunta às suas pétalas
se ao dizer flor
e perfume
dizes o mesmo nome.

Porque, se o não sabes,
é do amor que falas.



Albano Martins

quinta-feira, setembro 06, 2007


Atlântica Depressão



É sobre a mais fina
rosa
que coloco
o lápis mais dócil
na construção de
um verso
que
ouças da rua
dos montes e vales
de sol a pino
nos charcos limite
da depressão que
raramente atravessa
avessa o Atlântico.

domingo, setembro 02, 2007

Assim Eu Não Quisera






Como se cortam

as rosas, e se põem

a morrer em um claro

cristal; e o sol dá duas,

dá três voltas ao mundo

- assim eu não quisera

saber destas palavras

que levo até ao cristal

do poema, pensando

que um dia nos poderemos

olhar nele. E também nelas.



Angel Crespo (Trad. de Eugénio de Andrade)

segunda-feira, agosto 27, 2007

Anunciação




Às portas do teu ánimo

esboroa-se o meu sorriso

pequeno tigre de

papel tingindo o rouge na

tua face de estrelas.


A noite vem como

deusa do presságio

anunciando a queda

e a absolvição.

sábado, agosto 25, 2007

O Mensageiro







Vós sois os vossos próprios mensageiros; as torres que haveis construído são apenas as fundações do vosso eu gigante. E também esse eu será uma fundação.


Quando eréis um desejo errante na neblina, também eu era um desejo errante. Procuravamos-nos uns aos outros e, da nossa impaciência nasceram os sonhos. E os sonhos não tinha limite de tempo; e os sonhos eram espaço sem medida.


Então, a vida proferiu-nos e descemos pelos anos palpitantes com memórias de ontem e com desejos do amanhã, pois o ontem foi conquistado pela morte e o amanhã é perseguido pelo nascimento.



Kahlil Gibran, in O Mensageiro


talvez a explicação do universo...