sexta-feira, abril 25, 2008

25 de Abril





Traz Outro Amigo Também



Amigo

Maior que o pensamento

Por essa estrada amigo vem

Não percas o tempo que o vento

É meu amigo também


Em terras

Em todas as fronteiras

Seja bem-vindo quem vier por bem

Se alguém houver que não queira

Trá-lo contigo também


Aqueles

Aqueles que ficaram

(Em toda a parte

todo o mundo tem)

Em sonhos me visitaram


Traz outro amigo também

quinta-feira, abril 10, 2008




O Urbano Visita a Savana






Olhou a paisagem


e seus infinitos.




Depois de inspirar fundo,


perguntou:




- A imagem está óptima.


Mas, não tem legendas?






Mia Couto

segunda-feira, março 31, 2008

POESIS - Em diálogo Transdisciplinar à sua Espera




O Poesis significou para nós, que m 1989 criaram este espaço de poesia e diálogo cultural, Criação Universal!


Com este ideal procuramos motivar ao longo de quase duas dezenas de anos centenas de cidadãos, criadores, promotores, políticos, poetas, estetas, etc, no diálogo vivo, em jornais, revistas, programas, conferências, tertúlias.


Com este ideal editamos dois números da Revista Poesis, um verdadeiro espaço intercultural, transdiciplinar!


Com este ideal, mantemos o blog, onde esperamos pela sua colaboração, como novo diálogo em velho mundo!

segunda-feira, março 24, 2008

Agenda do Clube Literário- até Fim de Março

:: Dia 28 Sexta-feira
Piano-bar
21h30
Universos Paralelos
Poemas Escolhidos por António Domingos.

23h00
Jazz no Clube
Maria João Mendes (voz)
Cláudio Ribeiro (guitarra clássica)

:: Dia 29 Sábado
Auditório
9h30 - 13h00
Seminário
Curso completo de Osteopatia.

14h30 - 19h30
Seminário
Curso completo de Osteopatia.

21h30
Apresentação do livro «Poética do Instante Filosófico»
de Luís Lourenço.

Leituras: Miguel Leitão, Diana Devezas.

23h00
Melodias de Sempre
José Veloso Rito (piano)



:: Dia 30 Domingo
Auditório
9h30 - 13h00
Seminário
Curso completo de Osteopatia.

14h30 - 19h30
Seminário
Curso completo de Osteopatia.


:: Dia 31 Segunda-feira
Auditório
21h30
Conferência
«A Revolução Francesa»
por Prof. Dr. Maia Marques.

Dia Mundial do Teatro



Texto de ROBERT LEPAGE

Homme de théâtre


retirado de todo o mundo é um palco


"Existe um sem número de hipóteses sobre a origem do teatro, mas a que mais me exalta tem a forma de uma fábula:Uma noite, na alvorada dos tempos, um grupo de homens juntaram-se numa pedreira para se aquecerem volta de uma fogueira e para contar histórias. De súbito um deles lembrasse de utilizar a sua sombra para ilustrar a história usando a luz das chamas, ele fez aparecer mas paredes da pedreira personagens maiores que a vida. Os outros, maravilhados, foram reconhecendo por sua vez o forte e o fraco, o opressor e o oprimido, o deus e o mortal.Nos nossos dias, a luz dos projectores substituiu o fogo da lenha inicial, e a maquinaria de cena, os muros da pedreira. E apesar das diferenças para certos puristas, esta fábula lembra-nos que a tecnologia estava na origem do teatro e que ela não deve ser entendida como uma ameaça mas como um elemento unificador.A sobrevivência da arte teatral depende da capacidade de se reinventar, integrando novas ferramentas e novas linguagens.Senão, como o teatro poderia continuar a ser testemunha de grandes assuntos da nossa época e promover o entendimento entre as pessoas, se ele não tiver um espírito de abertura? Como poderia ele se orgulhar de oferecer soluções para os problemas de intolerância, da exclusão e do racismo, se, na sua pratica, resiste a alguma fusão e a toda a integração?Para representar o mundo em toda a sua complexidade, o artista deve trazer formas e ideias novas, e confiar na inteligência do espectador, capaz, ele, de distinguir a silhueta da humanidade no seu perpétuo jogo de luz e sombra.É também verdade se brincarmos com o fogo, podemo-nos queimar, mas podem-nos igualmente fascinar e iluminar."


ver mais:

sexta-feira, março 21, 2008

Dia da Poesia - Do poeta - Do Sonho Mais Alto, mais Alto

NIEMANDSROSE

Hás-de pensar ter encontrado
a rosa, hás-de gritar
esta é a rosa;
à tua volta todos
ouvirão, suspensos,
e, na rosa,
hão-de ver apenas o rumor
da tua boca
incendiada pelo verão.

António Mega Ferreira



UM LIVRO


Um livro escreve-se um vez e outra vez.
Um livro se repete. O mesmo livro.
Sempre. Ou a mesma pergunta. Ou
talvez
o não haver resposta.
Por isso um livro anda à volta sobre si mesmo
um livro o poema a prosa a frase
tensa
a escrita nunca escrita
a que não é senão o ritmo
subterrâneo
o anjo oculto o rio
o demónio azul.

Um livro. Sempre.
Um livro que se escreve e não se escreve
ou se rescreve junto
ao mesmo mar.

Um livro. Navegação por dentro
errância que não chega a nenhuma Ítaca.
Um livro se repete. Um livro
essa pergunta
incognoscível código do ser.

Metáfora de cornos e pés de cabra.
Um livro. Esse buscar
coisa nenhuma.
Ou só o espaço
o grande intermináve espaço em branco
por onde corre o sangue a escrita a vida.
Um livro.

Manuel Alegre

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

A Passarola da Utopia





Um dos factos mais curiosos da nossa história liga-se a um homem, que por artes e engenhos, e face à memória histórica, terá sido o primeiro ser humano a construir um objecto com a intenção de se elevar no ar e que efectivamente o conseguiu.
Quem leu o “Memorial do Convento” do Nobel Saramago, por certo encontrou aí esse personagem meio louco, meio padre, que um dia meditando nesse triste destino dos homens, quando comparado às maravilhas que as aves podem alcançar, achou essa ideia de voar tão simples quanto a sua vontade de criar.
Estou a falar do Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão, sendo o “de Gusmão” um acrescento posterior ao do nascimento, em homenagem a um professor desse apelido.
Pouco conhecido da nossa história e da própria história aeronáutica, Bartolomeu de Lourenço, desde cedo espantou os seus congêneres pela prodigiosa memória que possuía, capaz de absorver os clássicos, a filosofia, a história, e de os dizer sem outra ajuda que não apenas e só a sua memória.
Nasceu no Brasil, em Santos, era filho do Cirurgião-Mor do Presídio de Santos. Fez os estudos, também no Brasil, tendo entrado para a Companhia de Jesus, de onde acabou por sair. Ordenado Sacerdote em 1708, viajou pela Europa, tendo estado em paris, cidade das Luzes, e na Holanda, entre 1708 e 1713.
Doutorou-se em Direito Canônico na Universidade de Coimbra, que frequentou entre 1716 e 1720.
Serviu o Rei, laborou na escrita e foi admitido na Real Academia da História.
Seu cérebro sempre fervilhou de ideias e inventos, um original, um excêntrico, capaz do inimaginável à época, como o caso de ter idealizado e construído uma conduta, capaz de elevar a água desde o reservatório, situado cerca de 100m abaixo do nível pretendido.
Fechado numa sociedade fechada, teve o feliz acaso de viver na época em que um Rei acreditava em visionários(D. João IV). Em princípios de 1709(vozes o dizem que a ideia lhe atormentava muito antes)resolveu-se a ir buscar apoios para construir a sua visão: um engenho capaz de se elevar no ar!
Munido do privilégio Real, que acreditava na Ciência, e rodeado da aura de sapiente, dedicou vida, amor e fortuna a esta paixão.
Por três vezes tentou e ao que rezam as crónicas, na experiência de 3 de Outubro de 1709, terá conseguido elevar o seu engenho voador, por duas vezes, vários metros acima do solo.
Esta experiência não teve a repercussão histórica que merecia, devido, por um lado, ao fraco desenvolvimento cientifico/técnico do país, por outro devido à natureza volúvel, estranha do próprio Padre Bartolomeu.
Evoco, aqui, este naco de história, o da “Passarola Voadora”, assim ficou conhecido o engenho, para evocar essa razão louca e imaginativa do ser humano, capaz de ultrapassar fronteiras e impedimentos, a utopia do impossível, num tempo de razão acomodada, do homem feliz engordando à sombra de um establishment comprometido com alienação da vida e dos valores, o reino virtual da Tecnopolia.
Bartolomeu Lourenço de Gusmão foi um daqueles seres humanos que ajudaram a humanidade a evoluir, desprendido da “matéria mundi”, voando na sua passarola da Utopia, que bem precisamos de ressuscitar se não quisermos perecer atolados de passarolas que nos prendem à terra.