segunda-feira, dezembro 22, 2008

NATAL



O sino da minha aldeia,

Dolente na tarde calma,

Cada tua badalada

Soa dentro de minha alma.


E é tão lento o teu soar,

Tão como triste da vida,

Que já a primeira pancada

Tem o som de repetida.


Por mais que me tanjas perto

Quando passo, sempre errante,

És para mim como um sonho.

Soas-me na alma distante.


A cada pancada tua,

Vibrante no céu aberto,

Sinto mais longe o passado,

Sinto a saudade mais perto.


FERNANDO PESSOA



quinta-feira, dezembro 18, 2008

Acontecimento do ano POESIS







Para o POESIS e antes de qualquer balanço anual, o falecimento do nosso Amigo, Colaborador e ilustre Poeta, Escritor e Homem das sete partidas, DR. Fernando Peixoto, é o acontecimento do ano, aquele que nos marca pelo que nos lega e não saberemos se à sua altura estaremos.




As crianças sujas

tisnadas e sujas

descalças e sujas

ramelosas e sujas

magras e sujas

desgrenhadas e sujas

analfabetas e sujas

descobrem o orgasmo

nos portais sujos

escuros e sujos

banhando-se no sémen competitivo

crescendo depressa de mais


ai Deus

e ué ?


FERNANDO PEIXOTO


in Arca da Ternura














domingo, dezembro 07, 2008

Fernando Pessoa - 120 anos após o nascimento, o Baú ainda está aberto...



"

Há na obra de Fernando Pessoa, impondo-se como uma das suas mais poderosas realidades, um itinerário para o divino, uma peregrinação para o absoluto, uma demanda do Graal da sabedoria do transcendente ou do sobrenatural"


António Quadros

Agenda: Clube Literário do Porto


Entrega do
Prémio Clube Literário do Porto
2008

27 de Dezembro de 2008
Sábado, às 22h00


Festa da Poesia: Matosinhos, Biblioteca Florbela Espanca


quarta-feira, novembro 26, 2008

Abrigo





eu com um maremoto

no coração

e o inferno prometido.

náufrago

quase morto.


tu surgiste

qual onda de renovação

e deste-me abrigo

na foz do teu corpo.



Eduardo Roseira,

in a colheita íntima

Quartas Mal Ditas

Amanhã, 22 horas, mais uma sessão das Quartas Mal Ditas no piano-bar do Clube Literário do Porto, à Rua Nova da Alfândega, n.º 22.Tema: CAFÉS DA MINHA PREGUIÇAConvidados: MANUEl ANTÓNIO PINA ÁLVARO MAGALHÃES TOMÁS CARNEIRO
Leituras por: Anthero Monteiro, António Pinheiro, Isabel Marcolino, Luís Carvalho, Mário Vale Lima, Marta Tormenta, Rafael Tormenta e pelos convidados
Coordenação: Anthero Monteiro
QUARTAS MAL-DITAS: Poesia, Música, Conversas, Pretextos de aprendizagemAmanhã, 22 horas, mais uma sessão das Quartas Mal Ditas no piano-bar do Clube Literário do Porto, à Rua Nova da Alfândega, n.º 22.Tema: CAFÉS DA MINHA PREGUIÇAConvidados: MANUEl ANTÓNIO PINA ÁLVARO MAGALHÃES TOMÁS CARNEIRO
Leituras por: Anthero Monteiro, António Pinheiro, Isabel Marcolino, Luís Carvalho, Mário Vale Lima, Marta Tormenta, Rafael Tormenta e pelos convidados
Coordenação: Anthero Monteiro
QUARTAS MAL-DITAS: Poesia, Música, Conversas, Pretextos de aprendizagem
PARTICIPA / DIVULGA, por favor.
anthero.monteiro@gmail.com
www.pracadapoesia.blogspot.com

Biosofia

"
O Big Bang teria acontecido no início do tempo, marcando também o início do espaço(...), por isso desde então o Universo tem-se expandido mas não para o espaço vazio: o próprio espaço cria-se á medida que o tempo passa. As galáxias são neste campo pequeníssimos pirilampos emitindo luz na grande escuridão do Universo e anunciando a sua expansão."

In Biosofia


" A guerra está dentro de nós.


A história é a manifestação dessa doença"


Winston Churchill

segunda-feira, novembro 24, 2008

Exposição de Pintura

“Cores e Poemas",

Inauguração dia 29 de Novembro Pelas 15.00h,
no Castelo do Queijo – Porto (Rotunda de Matosinhos)
A exposição estará aberta ao público até dia 23 de Dezembro,
aos Fins-de-semana, das 14.00h às 17.00h.

Poderão encontrar também
Peças de artesanato e levar para casa um Poema!

Estão
tod@s convidad@s!
Ana Cláudia Albergaria

Telemóvel: 960486565

quinta-feira, novembro 20, 2008

Esfera Alcalina

Sinto-me estrangular pela morte,
que vagueia pelo meu pensamento
Sinto-me perdida nesta esfera alcanina,
palavra deturpada pela curiosidade.
Esfera alcanina,
Sentimento cáustico, irreverente
e melancólico.

Maria Helena Guerra

(POESIS)

quarta-feira, novembro 19, 2008

Solidão



morrem todos
os que construíram
a minha infância
e com eles
a infância vai
morrendo também


é assim o caminho
no deserto
entre as dunas
e a sede queimando
a pele com a
dor da vida




Um Poema






Um poema não
é o estorvo
da alma:

é a expectante fuga
à tenacidade da morte.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Aquecimento, Terra Final?




Glaciares derretem a velocidade recorde
Aquecimento global.

O ritmo anual a que derretem os glaciares duplicou desde o início do século e só em 2006 registaram-se perdas sem precedentes. Reduções nas emissão de gases são urgentes.
Podem desaparecer já este século em zonas de montanha, alerta estudo.

Os glaciares estão a derreter a uma velocidade recorde desde o início deste século, segundo um estudo apresentado durante a vigésima nona reunião do Grupo Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC), que está a decorrer em Genebra.


Segundo o Jornal 20 minutos, o ritmo anual a que derretem os glaciares duplicou e em 2006 registaram-se perdas de gelo sem precedentes. "Se esta tendência continuar e os governos não estiverem de acordo sobre as novas reduções de gases na reunião em Copenhaga em 2009, é possível que os glaciares desapareçam em muitas zonas de montanha durante este século", adverte o estudo.Apesar de os fenómenos de degelo já se verificarem desde as últimas décadas do século passado, foi nestes primeiros oito anos do actual que o ritmo acelerou, refere por seu lado o El Mundo.


E sublinha que as perdas históricas de 1998 já foram superadas por três vezes: em 2003, 2004 e 2006. O relatório revela que os degelos de 2004 e 2006 foram duas vezes mais relevantes que os de 1998, salienta o diário espanhol.Assim, e de acordo com os cálculos dos peritos, as perdas anuais registadas na década de 1996 a 2005 foram o dobro das registadas no período de 1986 a 1995 e quatro vezes superiores às de 1976 a 1985.


Nos Alpes, a cobertura glaciar diminuiu 35% entre 1850 e a década de 1970, uma redução que tem aumentado em mais 22% até ao ano de 2000. Já em 2003, ano em que a Europa sofreu uma onda de calor, o degelo foi num só Verão de 5 a 10%. Os peritos alertam que, mais do que as consequências globais das perdas dos glaciares, é o aprovisionamento de água de milhões de pessoas que está ameaçado.Também esta semana foi apresentado o estudo Solar Generation 2008, publicado pela Greenpeace e pela Associação Europeia da Indústria Fotovoltaica. Um trabalho que reconhece a importante contribuição da energia solar para as necessidades energéticas de dois terços da população mundial, incluindo aqueles que vivem em zonas remotas, em 2030."A energia solar poderia ajudar a reduzir cerca de 1600 milhões de toneladas de emissões de CO2 até 2030, o equivalente a 450 centrais térmicas de carbono", explicou Sven Teske, da Greenpeace Internacional.O estudo mostra, ainda, como a energia solar contribuirá para a criação de empregos verdes.

Hoje, quase 120 mil pessoas estão a trabalhar graças ao desenvolvimento deste sector. Em 2020, estima-se que dois milhões de pessoas estejam no sector da energia solar, valores que até 2030 podem chegar aos 10 milhões em todo o mundo.

terça-feira, novembro 11, 2008

Coro da Casa da Música

Coro Casa da Música
O Coro Casa da Música é a mais recente iniciativa da Casa da Música, no Porto. As inscrições para audições de selecção de cantores já estão abertas. Serão seleccionados oito solistas/coralistas principais (nível A); oito coralistas principais (nível B); 16 coralistas reforços (nível C); e 48 coralistas reforços para Coro Sinfónico (a partir de 2010, nível D). Para as provas, os candidatos devem apresentar uma ária de Johann Sebastian Bach, à escolha, e uma canção do repertório erudito, contrastante em estilo e noutro idioma (excluindo árias de ópera).
Até dia 5 de Dezembro as candidaturas - acompanhadas de um CV completo, com destaque para a formação musical e experiência vocal - devem ser enviadas para audicoes.coro@casadamusica.com. Os candidatos seleccionados serão contactados por correio electrónico até dia 19 de Dezembro, para prestarem provas na Casa da Música a partir de 12 de Janeiro de 2009.
A direcção musical do Coro Casa da Música está a cargo do maestro Paul Hiller. Natural de Dorset, em Inglaterra, estudou na Guildhall School of Music and Drama, em Londres. A sua carreira tem sido dedicada ao canto, à direcção e à escrita musical. Recentemente foi nomeado director artístico e maestro titular do Coro de Câmara Nacional da Irlanda.

fonte: http://bloguedeletras.blogspot.com/

segunda-feira, novembro 10, 2008

ARENA





Ardemos com os cavalos
consumindo as paixões
do relvado
sugando suor
a suor o rosto
destes novos gladiadores.


De que Dragão
herdamos
esta paixão ancestral?

terça-feira, novembro 04, 2008

Sincronicidade


"
Sincronicidade é o princípio que Jung postula como o laço conectando psique e acontecimento numa coincidência significativa, sendo participante quem determina se as coincidências sã plenas de significado."

quarta-feira, outubro 29, 2008

Estrada de Luas






Na estrada pejada
de Luas, pelejam pela
vida os exilados do sol
os viajantes do medo
perante a crueldade insensível
da noite e do seu árido
deserto de amor.

domingo, outubro 26, 2008

Revista relâmpago nº 22


Nº 22 da Revista Relâmpago, dedicada a Eduardo Lourenço, a ler:


quinta-feira, outubro 23, 2008

Janela

Tu, janela de convento,
és o ser e o deixar de ser.
És açucena - atrevimento,
branco de voltar a nascer.

Abro a janela
respiro
e nasço.
Sufoco.morro
e cheiro uma flor
vestida de branco
de voltar a nascer.


José Costa e Silva, "in O Último Poema"
Um Poeta do Poesis

segunda-feira, outubro 20, 2008

Uma Poetisa do Poesis

Saudade



Sentir que a vida
não passa sem nos tocar
levemente a pele, sem nos fazer
compreender o azul. A vida
não deixa passar momentos em branco
onde não haja memória. É meiga,
doce e parece eterna a vida
quando nos deixa este cheiro
no corpo e este sabor na boca!




Cris Madureira - Poesis

sexta-feira, outubro 10, 2008

Lançamento do Livro do Poeta Albino Santos

Lançamento do livro "MADRUGADA SEM FRONTEIRAS”

de
Albino Santos



Local: Baguim do Monte

(visite este site)
http://www.as-poliedro.blogspot.com/
PROGRAMA

17,15H - RECEPÇÃO AOS CONVIDADOS -
INTERLÚDIO MUSICAL COM A SOLISTA DE HARPA, PROF. ELEONOR PICAS
17, 30H - APRESENTAÇÃO DA OBRA E AUTOR - DR. JÚLIO COUTO
18,00H - LEITURA DE POEMAS - MARIA MAMEDE E FILOMENA GONÇALVES
18,15H - BREVE INTERVENÇÃO DO AUTOR E SESSÃO DE AUTÓGRAFOS
18,45H - PORTO DE HONRA
19,15 - ENCERRAMENTO

Prémio Nobel da Literatura




"Escritor da ruptura e da aventura poética", foi o distinguido
SÉRGIO ALMEIDA
Indigitado há anos para o Nobel da Literatura, Jean-Marie Gustave Le Clézio foi finalmente o escolhido da Academia Sueca. O anúncio só foi surpreendente devido ao 'timing', já que, ao contrário de outros anos, Le Clézio não era um dos favoritos.
Vinte e três anos depois de Claude Simon, o Nobel da Literatura voltou a premiar um escritor francês. É certo que Gao Xingjian, distinguido em 2000, possui nacionalidade francesa, mas tal deveu-se à perseguição de que foi alvo no seu país, a China. No entanto, J.M.G. Le Clézio está longe também de ser o produto de uma só cultura Viajante incansável, o escritor não tardou a trocar a Nice natal por destinos mais remotos, como a Nigéria, Banguecoque, Estados Unidos ou México. Uma espécie de busca pelo paraíso perdido que os seus livros reflectem na perfeição.
No breve comunicado que justificou a atribuição, o porta-voz da Academia Sueca destacou "o escritor da ruptura, da aventura poética e da sensibilidade extasiada" que se assume como "o investigador de uma humanidade rara debaixo da civilização reinante".
Nos mais de 50 títulos escritos ao longo de uma carreira literária com 45 anos que se espraia pelo romance, ensaio e até livros infantis, há ideias recorrentes: a viagem, o exílio, a íntima harmonia com a Natureza e a nostalgia dos mundos primitivos estão entre as principais. A forte pulsão que percorre estes textos, a par do interesse por culturas díspares, levou-o a ser apodado de "escritor nómada", "índio citadino" ou "panteísta magnífico".
Tolhido pela surpresa com o anúncio, Le Clézio foi parco em palavras, embora tenha confessado sentir-se "emocionado e sensibilizado". "Como qualquer prémio literário, este representa tempo ganho", completou.
Por maior visibilidade que o prémio agora outorgado possa atribuir-lhe, Le Clézio, de 68 anos, é um consagrado de longa data. Logo com "Le procès-verbal", romance que publicou aos 23 anos, conquistou o prémio Renaudot. Em 1994, a revista "Lire" elegeu-o "o maior escritor vivo da língua francesa", mas o próprio Le Clézio confessou que teria sido mais justa a atribuição a Julien Gracq.
Questionado sobre as suas expectativas quanto ao impacto do prémio, o autor, de nacionalidade francesa e maurícia, diz esperar apenas que os romances continuem a merecer a preferência dos leitores, pois "são uma forma excelente de interrogar o mundo actual".
A entrega do prémio e o correspondente cheque superior a um milhão de euros está marcada para 10 de Dezembro, mas, já este mês, no dia 25, o autor do recente "Ritournelle de la faim" (ainda não traduzido para português) desloca-se a Estocolmo para receber o Prémio Stig Dagerman, com o qual foi agraciado em Junho.


segunda-feira, outubro 06, 2008

Soneto de despedida



"
A notícia chegou, bateu-me à porta,

mal abri o correio das mensagens:

Era dura. De luto. Negra. Forte.

Tinha o peso da noite e da voragem.


Tinha o aceno do adeus, do até sempre,

e carregava doridos os sobrolhos.

A notícia trazia o lamento

da morte que mordia os nossos olhos.


Como dói a partida de um amigo

que se foi, nos deixou sem o pascigo

de dois dedos de conversa, sem contacto.


Mas um amigo não morre, só se ausenta:

e passado o cabo das tormentas,

sai da boca de cena (e do teatro).



Domingos da Mota


(logo após ter recebido a notícia do falecimento do Doutor Fernando Peixoto, poeta, homem das letras e do teatro, e amigo, com os meus sentidos pêsames a toda a sua família)"

sábado, outubro 04, 2008

Um óbito para sempre: FERNANDO PEIXOTO *25 de Julho de 1947 +03 de Outubro de 2008


A morte é o destino de todos nós, a transição, mas há algumas que nos marcam para sempre:

A do Meu Amigo Fernando Peixoto é uma dessas, com ele se foi um resrvatório inigualável de cultura total, solidariedade, amor, humanismo. Poeta, Historiador, Teatrologo, Escritor, Professor, Político, Preso Político, tudo ou muito pouco se pode dizer em palavras, mas muito em admiração, o meu pleito aqui fica:


Rosas Sobre ...

"Hoje o Chave da Poesia faz uma homenagem especial ao Historiador, Teatrólogo, Escritor, Professor e Poeta, Doutor Fernando Aníbal Costa Peixoto que partiu de nosso convívio, deixando aqui, a marca de uma Poesia inigualável, fragmentos de sua alma e de seus sentimentos. A este Grande Homem, Parceiro e Amigo, toda admiração. Apresentamos seu último poema que aconchegado neste espaço, mantém Viva sua Lembrança e Eterniza a Saudade... Sylvia Cohin
« RE-PARTINDO... »

Fernando Peixoto

Sei que contigo vão partir
memórias de um tempo partilhado,
dias breves que hoje são passado
e podiam no entanto ser porvir.
Sei que levas na bagagem a lembrança
dos olhos nimbados de tristeza
mas também o brilho da bonança
que alimenta a tua natureza.
Mas se partes, apenas uma parte
vai contigo rasgando o mar e o vento:
que outra parte de ti já se
repartena minha memória e pensamento.

24 de Agosto de 2008

FERNANDO PEIXOTO
*25 de Julho de 1947
+03 de Outubro de 2008
Vila Nova de Gaia - Portugal "

Retirado do blogue: http://chavedapoesia.blogspot.com/

Um Poeta não morre é Uma Estrela a Voar no Firmamento- Ao meu Amigo Fernando Peixoto



"Que o século XXI nos encontre de mãos dadas saudando o Homem Novo, o Novo Sapiens: o Homo Ethicus!"
Fernando Peixoto


A ti meu irmão deixo o meu pleito: Se a vida te consumiu, consumiste tudo da vida, pleno de vida e de afirmações, lutador, amante, poeta errante, professor, um destino das alturas.

Quem contigo privou deixas hoje a tristeza de não mais te poder ouvir as sábias e doutas palavras, o exemplo de uma vida comprometida (no longíquo 25 estavas preso em Peniche!), de uma alma cósmica.

Morreu o homem, todos os homens morrem, não feneceu o poeta ele vive em nós.


Até sempre:


segunda-feira, setembro 29, 2008

Árvore-Mulher




Nas árvores, troncos de bolhas

cresceste, minguaste mulher,

vestida de ramos e folhas.

E há troncos, relva, vielas

coxas abertas, sexo

pernas, rins e folhas amarelas,

gotículas de outono sem nexo

escorrendo no ventre. ladeando

o sexo agressivo impúdico

da árvore mulher vagando

o olhar redondo e lúbrico
ao redor do sempre, do quando

do tudo e do nada telúrico.


José Costa e Silva in O Último Poema

quarta-feira, setembro 03, 2008

Iniciação

"...podemos deduzir que a principal função de uma Ordem Esótérica é preparar o estudante para um conhecimento mais aprofundado do mundo em que vive. Ou seja: toda a Ordem Esotérica é uma Escola."

Frater Goya



domingo, julho 27, 2008

Biobliografia de João Ubaldo




João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro nasceu na Ilha de Itaparica, Bahia, em 23 de janeiro de 1941, na casa de seu avô materno, à Rua do Canal, número um, filho primogênito de Maria Felipa Osório Pimentel e Manoel Ribeiro. O casal teria mais dois filhos: Sonia Maria e Manoel. Ao completar dois meses de idade, João muda-se com a família para Aracajú, SE, onde passaria a infância.
Em 1947 inicia seus estudos com um professor particular. Seu pai, professor e político, segundo o biografado, não suportava ter um filho analfabeto em casa. Já alfabetizado, em 1948 ingressa no Instituto Ipiranga. A partir daí permaneceria horas trancado na biblioteca de sua casa devorando livros infantis, sobretudo os de Monteiro Lobato. Forçado por seu austero pai, iria se dedicar com afinco aos estudos, procurando ser sempre o primeiro da classe. Sobre essa fase de sua vida leia mais em "Memória de Livros", deliciosa crônica que consta de "Releituras".
No ano de 1951 ingressa no Colégio Estadual de Sergipe. Sempre dedicado aos estudos, prestava ao pai, diariamente, contas sobre os livros lidos, sendo, algumas vezes, solicitado a resumi-los e a traduzir alguns de seus trechos. João era também solicitado a verter para o português canções francesas que o pai ouvia. Não tinha folga nem nas férias, pois nelas praticava o latim e copiava os sermões do padre Vieira, apesar de afirmar que fazia aquilo com prazer. Manoel Ribeiro, seu pai, era chefe da Polícia Militar e, nessa época, passa a sofrer pressões políticas, o que o faz transferir-se com a família para Salvador. Na capital baiana João Ubaldo é matriculado no Colégio Sofia Costa Pinto. Conta ele que era perseguido pela professora de inglês, em virtude de seu sotaque. "Ela não percebeu que eu falava inglês britânico, já que estudara em Sergipe com um professor educado na Escócia", diz o escritor. Desafiado, dedica empenho extraordinário ao idioma, chegando a decorar 50 palavras por dia. Vizinho de engenheiros americanos, faz amizade com seus filhos para aprimorar ainda mais seus conhecimentos da língua inglesa.
Em 1955 matricula-se no curso clássico do Colégio da Bahia, conhecido como "Colégio Central".
1956 marca o início da amizade com Glauber Rocha, seu colega na escola.
Estréia no jornalismo, começando a trabalhar como repórter no Jornal da Bahia, em 1957, sendo que posteriormente se transferiria para A Tribuna da Bahia, onde chegaria a exercer o posto de editor-chefe.
Em 1958 inicia seu curso de Direito na Universidade Federal da Bahia. Com Glauber Rocha edita revistas e jornais culturais e participa do movimento estudantil. Apesar de nunca ter exercido a profissão de advogado, foi aluno exemplar. Lê (ou relê), então, os grandes clássicos: Rabelais, Shakespeare, Joyce, Faulkner, Swift, Lewis Carroll, Cervantes, Homero, e, entre os brasileiros, Graciliano Ramos e Jorge de Lima. Nessa mesma Universidade, concluído o curso de Direito, faz pós-graduação em Administração Pública.
Participa da antologia Panorama do Conto Bahiano, organizada por Nelson de Araújo e Vasconcelos Maia, em 1959, com "Lugar e Circunstância", e publicada pela Imprensa Oficial da Bahia. Passa a trabalhar na Prefeitura de Salvador como office-boy do Gabinete e, em seguida, como redator no Departamento de Turismo.
Seu primeiro casamento dá-se em 1960 com Maria Beatriz Moreira Caldas, sua colega na Faculdade de Direito. Separaram-se após 9 anos de vida conjugal.
Com "Josefina", "Decalião" e "O Campeão" participa da coletânea de contos Reunião, editada pela Universidade Federal da Bahia no ano de 1961, em companhia de David Salles (organizador do livro), Noêmio Spinola e Sonia Coutinho.
Em 1963 escreve seu primeiro romance, "Setembro não faz sentido", título que substituiu o original (A Semana da Pátria), por sugestão da editora.
Em plena efervescência política do ano de 1964, João Ubaldo parte para os Estados Unidos, através de uma bolsa de estudos conseguida junto à Embaixada norte-americana, para fazer seu mestrado em Administração Pública e Ciência Política na Universidade da Califórnia do Sul. Conta que, na sua ausência, teve até sua fotografia divulgada pela televisão baiana, encimada por um enorme "Procura-se". Segundo João, o movimento revolucionário não sabia que ele, tido e havido como esquerdista, estava nos Estados Unidos às expensas daquele país.
Volta ao Brasil em 1965 e começa a lecionar Ciências Políticas na Universidade Federal da Bahia. Ali permaneceu por 6 anos, mas desistiu da carreira acadêmica e retornou ao jornalismo.
Com o prefácio de Glauber Rocha, que se empenhou junto à José Álvaro Editores pela sua publicação, João Ubaldo tem seu primeiro romance "Setembro não faz sentido" impresso, com o apadrinhamento de Jorge Amado.
Em 1969 casa-se com a historiadora Mônica Maria Roters, que lhe daria duas filhas: Emília (nascida em fevereiro de 1970) e Manuela (cujo nascimento ocorreria em junho de 1972). O casamento acabaria em 1978.

Em 1971 lança, pela Editora Civilização Brasileira, o romance "Sargento Getúlio", merecedor do Prêmio Jabuti concedido pela Câmara Brasileira do Livro, em 1972, na categoria "Revelação de Autor". O livro é inspirado principalmente num episódio ocorrido na infância de João Ubaldo, envolvendo um certo sargento Cavalcanti, que recebera 17 tiros num atentado em Paulo Afonso, na Bahia; resgatado pelo pai do autor, então chefe da polícia de Sergipe, chegaria com vida em Aracaju. Segundo a crítica, esse livro filiou seu autor a uma vertente literária que sintetiza o melhor de Graciliano Ramos e o melhor de Guimarães Rosa.
Publica, em 1974, o livro de contos "Vencecavalo e o outro povo" (cujo título inicial era "A guerra dos Pananaguás"), pela Artenova.
Com tradução feita pelo próprio autor, o romance "Sargento Getúlio" é lançado nos Estados Unidos em 1978, com boa receptividade pela crítica daquele país.
Em 1979 passa nove meses como professor convidado do International Writting Program da Universidade de Iowa e publica no Brasil, pela Nova Fronteira, que a partir de então seria sua principal editora, um "conto militar", na sua definição, intitulado "Vila Real".
1980 marca seu terceiro casamento, com a fisioterapeuta Berenice Batella, que lhe daria dois filhos: Bento e Francisca (nascidos em junho de 1981 e setembro de 1983, respectivamente). Participa, em Cuba, do júri do concurso Casa das Américas, juntamente com o critico literário Antônio Cândido e o ator e diretor de teatro Gianfrancesco Guarnieri. O primeiro prêmio foi concedido à brasileira Ana Maria Machado.
Muda-se, com a família, para Lisboa, Portugal, em 1981, graças a uma bolsa concedida pela Fundação Calouste Gulbenkian. Edita, no período em que ali viveu, com o jornalista Tarso de Castro, a revista Careta. De volta ao Brasil, passa a residir no Rio de Janeiro, cidade que tanto ama, e lança "Política", livro até hoje adotado por inúmeras faculdades. Lança, também, "Livro de Histórias" (depois republicado com o título de "Já podeis da pátria filhos"), coletânea de contos. Inicia colaboração com o jornal "O Globo", que perdura até hoje, com pequenas interrupções, publicando uma crônica por semana. Sua produção dessa época seria reunida em 1988 no livro "Sempre aos domingos".
Em 1982 inicia o romance "Viva o povo brasileiro", que se passa na Ilha de Itaparica e percorre quatro séculos da história do país. Originalmente o livro se chamava "Alto lá, meu general". Segundo João, o livro nasceu de um desafio de seus editores e da lembrança de uma afirmativa de seu pai, que dizia: "Livro que não fica em pé sozinho, não presta." Como seus livros sempre tiveram poucas páginas, diante da provocação, fez um com mais de 700. Nesse ano participou do Festival Internacional de Escritores, em Toronto, Canadá.
No ano seguinte estréia na literatura infanto-juvenil com "Vida e paixão de Pandonar, o cruel". Seu livro "Sargento Getúlio" chega aos cinemas, num filme dirigido por Hermano Penna e protagonizado por Lima Duarte. O longa-metragem receberia os seguintes prêmios no Festival de Gramado: Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Som Direto, Melhor Filme, Grande Prêmio da Crítica e Grande Prêmio da Imprensa e do Júri Oficial. Volta a residir em Itaparica, na casa onde nascera.
"Viva o povo Brasileiro" é finalmente editado em 1984, e recebe o Prêmio Jabuti na categoria "Romance" e o Golfinho de Ouro, do governo do Rio de Janeiro. Inicia a tradução desse livro para o inglês, tarefa que lhe consumiria dois anos de trabalho e a partir do qual passaria a utilizar o computador para escrever. Ao lado de Jorge Luis Borges e Gabriel Garcia Marques, participa de uma série de nove filmes produzidos pela TV estatal canadense sobre a literatura na América Latina.
João Ubaldo é consagrado na Avenida Marquês de Sapucaí: seu livro "Viva o povo brasileiro" é escolhido como samba-enredo da escola Império da Tijuca para o carnaval do ano de 1987.
Em 1989 lança o romance "O sorriso do lagarto".
Em 1990 publica "A vingança de Charles Tiburone", sua segunda experiência em literatura infanto-juvenil. A convite da Deutsch Akademischer Austauschdienst, muda-se com a família para Berlim, onde viveria por 15 meses. Publica crônicas semanais no jornal Frankfurter Rundschau, além de produzir peças radiofônicas de grande alcance popular, entre elas, uma adaptação de seu conto "O santo que não acreditava em Deus".
Retorna ao Brasil em 1991, e volta a residir no Rio de Janeiro. Seu romance "O sorriso do lagarto" é adaptado para o formato de minissérie por Walter Negrão e Geraldo Carneiro e estréia na Rede Globo, tendo como protagonistas Tony Ramos, Maitê Proença e José Lewgoy. Volta a escrever no jornal O Globo e inicia colaboração no O Estado de São Paulo, passando a publicar em ambos uma crônica aos domingos.
Em 1993 adapta "O santo que não acreditava em Deus" para a série Caso Especial, da Rede Globo, que teve Lima Duarte no papel principal. No dia 7 de outubro é eleito para a cadeira 34 da Academia Brasileira de Letras, na vaga aberta com a morte do jornalista Carlos Castello Branco. Disputavam com ele o piauiense Álvaro Pacheco e o mineiro Olavo Drummond. No terceiro escrutínio João Ubaldo obteve 21 votos contra 13 de Pacheco e um nulo.
Termina, em 1994, a adaptação cinematográfica, feita em parceria com Cacá Diegues e Antônio Calmon, do romance "Tieta do Agreste", de seu amigo e conterrâneo Jorge Amado. O filme teve a atriz Sonia Braga no papel principal e direção de Cacá Diegues. Toma posse na Academia Brasileira de Letras em 8 de junho. Cobre, nos Estados Unidos, a Copa do Mundo de Futebol como enviado dos jornais O Globo e O Estado de São Paulo. De volta ao Brasil é internado numa clínica em Botafogo, com arritmia cardíaca. Participa da Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, e lá recebe o Prêmio Anna Seghers, concedido somente a escritores alemães e latino-americanos.
Recebe o prêmio Die Blaue Brillenschlange -- concedido ao melhor livro infanto-juvenil sobre minorias não-européias -- pela edição alemã de "Vida e paixão de Pandonar, o cruel". Lança o livro de crônicas "Um brasileiro em Berlim", sobre sua estada naquela cidade.
Volta a participar da Feira do Livro de Frankfurt, em 1996. Detém a cátedra de Poetik Dozentur na Universidade de Tubigem, Alemanha.
Em 1997 é internado novamente no Rio, desta vez com fortes dores de cabeça provocadas por uma queda. Cacá Diegues compra os direitos de filmagem do livro "Já podeis da pátria filhos". Renova contrato com a Nova Fronteira, depois de receber propostas de outras editoras. Publica o romance "O feitiço da Ilha do Pavão".
Participa em Paris do Salão do Livro da França, em 1998. Vende os direitos de "Viva o povo brasileiro" para o cinema; o filme deve ser dirigido pelo cineasta André Luis Oliveira. Lança o livro "Arte e ciência de roubar galinha", seleção de crônicas publicadas nos jornais O Globo e O Estado de São Paulo.
Durante a IX Bienal do Livro - Rio de Janeiro, em Abril de 1999, lança o livro "A Casa dos Budas Ditosos", da série Plenos Pecados, um romance sobre a luxúria publicado pela Editora Objetiva Ltda., que obtém enorme sucesso de vendas.
Ainda em 1999, foi um dos escritores escolhidos em todo mundo para dar um depoimento ao jornal francês "Libération", sobre o milênio que se aproximava. Escreveu, juntamente com Carlos (Cacá) Diegues, o roteiro de um filme baseado em seu conto "O santo que não acreditava em Deus", cujo título para o cinema foi "Deus é brasileiro". Seu romance "O feitiço da Ilha do Pavão" foi publicado em Portugal e em tradução alemã, pela editora C.H. Beck. "A Casa dos Budas Ditosos" torna-se um grande sucesso editorial, permanecendo, por mais de trinta e seis semanas, entre os dez livros mais vendidos. O romance foi publicado na Espanha, França e outros países. Seu lançamento em Portugal se transformou em problema nacional face à proibição, por duas redes de supermercados, de sua venda naqueles estabelecimentos. A primeira edição, de 5.000 exemplares, foi vendida em poucos dias e novas edições também. João Ubaldo, em janeiro/2000, esteve lá para ser homenageado pelos escritores portugueses com um desagravo a tal procedimento. Nessa oportunidade participou da Semana de Estudos Lusófonos, na Universidade de Coimbra. Foi, também, citado em diversas antologias, nacionais e estrangeiras, inclusive numa sobre futebol, publicada pelo jornal "Le Monde", na França. Saíram várias reedições de seus livros na Alemanha, incluindo uma nova edição de bolso de "Sargento Getúlio". "O sorriso do lagarto" foi publicado na França. "A casa dos Budas ditosos" foi traduzido para o inglês, nos Estados Unidos. Seu livro "Viva o povo brasileiro" foi indicado para o exame de Agrégation, um concurso nacional realizado na França para os detentores de diploma de graduação.

Os dados acima foram obtidos em livros diversos; no sítio da Academia Brasileira de Letras; nos Cadernos de Literatura do Inst. Moreira Salles e fornecidos pelo próprio autor.

Prémio Camões para João Ubaldo Ribeiro

Prémio Camões 2008: Distinguido brasileiro João Ubaldo Ribeiro (act.)O escritor brasiliro João Ubaldo Ribeiro foi hoje distinguido com o Prémio Camões 2008, o mais importante galardão atribuído a autores de língua portuguesa.


É o oitavo escritor brasileiro a ser distinguido com este prémio, que na sua edição anterior foi para o português António Lobo Antunes.
Instituído pelos governos português e brasileiro em 1988, o Prémio distingue, anualmente, um autor que, pelo conjunto da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua portuguesa.
Este ano, o vencedor foi escolhido por um júri de que fazem parte Maria de Fátima Marinho, professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Maria Lúcia Lepecki, professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Marco Lucchesi, escritor e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ruy Espinheira Filho, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), João Meio, poeta e jornalista angolano, e Corsino Fortes, diplomata e presidente da Associação de Escritores Cabo-verdianos.

quarta-feira, julho 16, 2008

As sem-razões do amor



Eu te amo porque te amo,

Não precisas ser amante,

e nem sempre sabes sê-lo.

Eu te amo porque te amo.

Amor é estado de graça

e com amor não se paga.


Amor é dado de graça,

é semeado no vento,

na cachoeira, no eclipse.

Amor foge a dicionários

e a regulamentos vários.


Eu te amo porque não amo

bastante ou demais a mim.

Porque amor não se troca,

não se conjuga nem se ama.

Porque amor é amor a nada,

feliz e forte em si mesmo.


Amor é primo da morte,

e da morte vencedor,

por mais que o matem (e matam)

a cada instante de amor.


segunda-feira, junho 16, 2008

Tertúlia POESIS
Dia 28 de Junho às 16h00
na Rua Antero de Quental Nº 241 Sala 14 Porto
“POESIA E SANTOS POPULARES”





Caro amigos Tertulianos, o Poesis retoma o ciclo das tertúlias com uma saborosa proposta/convite a todos os “trovadores” na época pagã dos santos populares, a vir trinchar connosco um naco de poesia, um verso de sardinha e uma broa pensadora!


Convidados: Fernando Peixoto
Eduardo roseira
Kim Berlusa
e Moreno Afonso

Não Faltes, Participa (contacta 917432753)

domingo, junho 15, 2008

Fernando Pessoa - 120 anos após o nascimento, o Baú ainda está aberto...





Esta madrugada é a primeira do mundo.Nunca esta cor rosa amarelecendo para branco quente pousou assim na face com que a casaria a oeste encara cheia de olhos vidrados o silêncio que vem na luz crescente.Nunca houve esta hora, nem esta luz, nem este meu ser. Amanhã o que for será outra coisa, e o que eu vir será visto por olhos recompostos, cheios de uma nova visão.


In " O Livro do Desassossego"

sábado, maio 31, 2008

de Manuel Alegre






"Não é verdade que Deus seja maneta

Deus é canhoto."


In Livro do Português Errante

sexta-feira, maio 23, 2008


Um Grupo Transcultural - Uma Revista Transdisciplinar !
Se não possui peça o seu exemplar dos dois números editados:
para POESIS - Rua Antero de Quental Nº 241 Sala 6 - 4050 Porto.

Feira do Livro do Porto


Não deixe de passar, para o ano, esperamos será melhor!




quarta-feira, maio 14, 2008

Arte em ultravioleta !



Cultura: Arte apenas visível com luz ultravioleta
12.05.2008
Fonte: Reuters
O filipino Edd Aragon pinta as suas telas como qualquer outro artista, mas as pinturas apenas são visíveis com luz ultravioleta.

terça-feira, maio 13, 2008

O Mistério da Existência



deveremos nós simples ignorantes de destino próprio, desprezar aquilo que outros "vêem", apenas porque nossos olhos seguem em parâmetros diferentes?
seremos nós mais intelegentes porque passamos com o aval de cientista qualificado, trazendo o método no bojo, e a experiência como arma, perante o outro que interroga o mistério e o insondável, a vida e a morte, o planeta e o humano, não radicando qualquer mas exercendo a maiêutica Socrática?

Nos mistérios ainda por desvendar desvendaremos nós os propósitos da existência humana.


"

Dois ovnis no Morro de S. João - BrasilAprovado por luisaparicio , Terça, 5 de Fevereiro de 2008 (20:50:13) (1484 leituras)
Luís Aparício escreve "Ed Richard Toniolo, morador da cidade de Rio das Ostras no Estado do Rio de Janeiro, Brasil, avistou no dia 29 de Dezembro de 2007 por volta das 19 horas, ao chegar à varanda da sua casa que dá a visão para o Morro de São João dois objetos de formato lenticular e coloração alaranjada movendo-se por sobre citado morro. Prontamente chamou a sua esposa e solicitou que lhe trouxesse consigo a sua máquina digital ( Kodak 7.2 Mpixels) para registrar em fotos e vídeos o que ali observáva. "

Egipto



Escrita egípcia também foi algo importante para este povo, pois permitiu a divulgação de idéias, comunicação e controle de impostos. Existiam duas formas de escrita: a demótica (mais simplificada) e a hieroglífica (mais complexa e formada por desenhos e símbolos). As paredes internas das pirâmides eram repletas de textos que falavam sobre a vida do faraó, rezas e mensagens para espantar possíveis saqueadores. Uma espécie de papel chamado papiro, que era produzido a partir de uma planta de mesmo nome, também era utilizado para registrar os textos.


Silêncio



Não interrogues. E não digas

também

segredos ao ouvido.

O próprio silêncio

é ás vezes indiscreto.



Albano Martins

sexta-feira, abril 25, 2008

25 de Abril





Traz Outro Amigo Também



Amigo

Maior que o pensamento

Por essa estrada amigo vem

Não percas o tempo que o vento

É meu amigo também


Em terras

Em todas as fronteiras

Seja bem-vindo quem vier por bem

Se alguém houver que não queira

Trá-lo contigo também


Aqueles

Aqueles que ficaram

(Em toda a parte

todo o mundo tem)

Em sonhos me visitaram


Traz outro amigo também

quinta-feira, abril 10, 2008




O Urbano Visita a Savana






Olhou a paisagem


e seus infinitos.




Depois de inspirar fundo,


perguntou:




- A imagem está óptima.


Mas, não tem legendas?






Mia Couto

segunda-feira, março 31, 2008

POESIS - Em diálogo Transdisciplinar à sua Espera




O Poesis significou para nós, que m 1989 criaram este espaço de poesia e diálogo cultural, Criação Universal!


Com este ideal procuramos motivar ao longo de quase duas dezenas de anos centenas de cidadãos, criadores, promotores, políticos, poetas, estetas, etc, no diálogo vivo, em jornais, revistas, programas, conferências, tertúlias.


Com este ideal editamos dois números da Revista Poesis, um verdadeiro espaço intercultural, transdiciplinar!


Com este ideal, mantemos o blog, onde esperamos pela sua colaboração, como novo diálogo em velho mundo!

segunda-feira, março 24, 2008

Agenda do Clube Literário- até Fim de Março

:: Dia 28 Sexta-feira
Piano-bar
21h30
Universos Paralelos
Poemas Escolhidos por António Domingos.

23h00
Jazz no Clube
Maria João Mendes (voz)
Cláudio Ribeiro (guitarra clássica)

:: Dia 29 Sábado
Auditório
9h30 - 13h00
Seminário
Curso completo de Osteopatia.

14h30 - 19h30
Seminário
Curso completo de Osteopatia.

21h30
Apresentação do livro «Poética do Instante Filosófico»
de Luís Lourenço.

Leituras: Miguel Leitão, Diana Devezas.

23h00
Melodias de Sempre
José Veloso Rito (piano)



:: Dia 30 Domingo
Auditório
9h30 - 13h00
Seminário
Curso completo de Osteopatia.

14h30 - 19h30
Seminário
Curso completo de Osteopatia.


:: Dia 31 Segunda-feira
Auditório
21h30
Conferência
«A Revolução Francesa»
por Prof. Dr. Maia Marques.

Dia Mundial do Teatro



Texto de ROBERT LEPAGE

Homme de théâtre


retirado de todo o mundo é um palco


"Existe um sem número de hipóteses sobre a origem do teatro, mas a que mais me exalta tem a forma de uma fábula:Uma noite, na alvorada dos tempos, um grupo de homens juntaram-se numa pedreira para se aquecerem volta de uma fogueira e para contar histórias. De súbito um deles lembrasse de utilizar a sua sombra para ilustrar a história usando a luz das chamas, ele fez aparecer mas paredes da pedreira personagens maiores que a vida. Os outros, maravilhados, foram reconhecendo por sua vez o forte e o fraco, o opressor e o oprimido, o deus e o mortal.Nos nossos dias, a luz dos projectores substituiu o fogo da lenha inicial, e a maquinaria de cena, os muros da pedreira. E apesar das diferenças para certos puristas, esta fábula lembra-nos que a tecnologia estava na origem do teatro e que ela não deve ser entendida como uma ameaça mas como um elemento unificador.A sobrevivência da arte teatral depende da capacidade de se reinventar, integrando novas ferramentas e novas linguagens.Senão, como o teatro poderia continuar a ser testemunha de grandes assuntos da nossa época e promover o entendimento entre as pessoas, se ele não tiver um espírito de abertura? Como poderia ele se orgulhar de oferecer soluções para os problemas de intolerância, da exclusão e do racismo, se, na sua pratica, resiste a alguma fusão e a toda a integração?Para representar o mundo em toda a sua complexidade, o artista deve trazer formas e ideias novas, e confiar na inteligência do espectador, capaz, ele, de distinguir a silhueta da humanidade no seu perpétuo jogo de luz e sombra.É também verdade se brincarmos com o fogo, podemo-nos queimar, mas podem-nos igualmente fascinar e iluminar."


ver mais:

sexta-feira, março 21, 2008

Dia da Poesia - Do poeta - Do Sonho Mais Alto, mais Alto

NIEMANDSROSE

Hás-de pensar ter encontrado
a rosa, hás-de gritar
esta é a rosa;
à tua volta todos
ouvirão, suspensos,
e, na rosa,
hão-de ver apenas o rumor
da tua boca
incendiada pelo verão.

António Mega Ferreira



UM LIVRO


Um livro escreve-se um vez e outra vez.
Um livro se repete. O mesmo livro.
Sempre. Ou a mesma pergunta. Ou
talvez
o não haver resposta.
Por isso um livro anda à volta sobre si mesmo
um livro o poema a prosa a frase
tensa
a escrita nunca escrita
a que não é senão o ritmo
subterrâneo
o anjo oculto o rio
o demónio azul.

Um livro. Sempre.
Um livro que se escreve e não se escreve
ou se rescreve junto
ao mesmo mar.

Um livro. Navegação por dentro
errância que não chega a nenhuma Ítaca.
Um livro se repete. Um livro
essa pergunta
incognoscível código do ser.

Metáfora de cornos e pés de cabra.
Um livro. Esse buscar
coisa nenhuma.
Ou só o espaço
o grande intermináve espaço em branco
por onde corre o sangue a escrita a vida.
Um livro.

Manuel Alegre

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

A Passarola da Utopia





Um dos factos mais curiosos da nossa história liga-se a um homem, que por artes e engenhos, e face à memória histórica, terá sido o primeiro ser humano a construir um objecto com a intenção de se elevar no ar e que efectivamente o conseguiu.
Quem leu o “Memorial do Convento” do Nobel Saramago, por certo encontrou aí esse personagem meio louco, meio padre, que um dia meditando nesse triste destino dos homens, quando comparado às maravilhas que as aves podem alcançar, achou essa ideia de voar tão simples quanto a sua vontade de criar.
Estou a falar do Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão, sendo o “de Gusmão” um acrescento posterior ao do nascimento, em homenagem a um professor desse apelido.
Pouco conhecido da nossa história e da própria história aeronáutica, Bartolomeu de Lourenço, desde cedo espantou os seus congêneres pela prodigiosa memória que possuía, capaz de absorver os clássicos, a filosofia, a história, e de os dizer sem outra ajuda que não apenas e só a sua memória.
Nasceu no Brasil, em Santos, era filho do Cirurgião-Mor do Presídio de Santos. Fez os estudos, também no Brasil, tendo entrado para a Companhia de Jesus, de onde acabou por sair. Ordenado Sacerdote em 1708, viajou pela Europa, tendo estado em paris, cidade das Luzes, e na Holanda, entre 1708 e 1713.
Doutorou-se em Direito Canônico na Universidade de Coimbra, que frequentou entre 1716 e 1720.
Serviu o Rei, laborou na escrita e foi admitido na Real Academia da História.
Seu cérebro sempre fervilhou de ideias e inventos, um original, um excêntrico, capaz do inimaginável à época, como o caso de ter idealizado e construído uma conduta, capaz de elevar a água desde o reservatório, situado cerca de 100m abaixo do nível pretendido.
Fechado numa sociedade fechada, teve o feliz acaso de viver na época em que um Rei acreditava em visionários(D. João IV). Em princípios de 1709(vozes o dizem que a ideia lhe atormentava muito antes)resolveu-se a ir buscar apoios para construir a sua visão: um engenho capaz de se elevar no ar!
Munido do privilégio Real, que acreditava na Ciência, e rodeado da aura de sapiente, dedicou vida, amor e fortuna a esta paixão.
Por três vezes tentou e ao que rezam as crónicas, na experiência de 3 de Outubro de 1709, terá conseguido elevar o seu engenho voador, por duas vezes, vários metros acima do solo.
Esta experiência não teve a repercussão histórica que merecia, devido, por um lado, ao fraco desenvolvimento cientifico/técnico do país, por outro devido à natureza volúvel, estranha do próprio Padre Bartolomeu.
Evoco, aqui, este naco de história, o da “Passarola Voadora”, assim ficou conhecido o engenho, para evocar essa razão louca e imaginativa do ser humano, capaz de ultrapassar fronteiras e impedimentos, a utopia do impossível, num tempo de razão acomodada, do homem feliz engordando à sombra de um establishment comprometido com alienação da vida e dos valores, o reino virtual da Tecnopolia.
Bartolomeu Lourenço de Gusmão foi um daqueles seres humanos que ajudaram a humanidade a evoluir, desprendido da “matéria mundi”, voando na sua passarola da Utopia, que bem precisamos de ressuscitar se não quisermos perecer atolados de passarolas que nos prendem à terra.

Portal dos poemas

Recomenda-se a dar uma espreitadela!


http://portaldospoemas.wordpress.com/

terça-feira, fevereiro 26, 2008

POR UM PROJECTO CULTURAL ABERTO



Há quem pense que a ciência, religião, filosofia e arte não se encontram pelos mesmos caminhos, como se a matriz, a capacidade imaginativa e criadora do cérebro humano, fosse assim um espaço compartimentado, sem comunicação entre os elementos que o compõem e dispõem a humanidade à sua actividade consciente e civilizacional.


O espirito grego ou a renascença estão aí para confirmar que, ao contrário das amarras ideológicas, epistemológicas e disciplinares que a modernidade construiu, para encerrar a sabedoria e destituir os sábios, só o ecletismo e a visão universalista, a capacidade de poder articular conhecimentos num avisão fenomenológica total(ler Teilhard Chardin) poderá levar-nos a compreender e actuar sobre a diversidade do mundo, a diversidade humana, num contexto como o actual de mundialização, isto é, onde cada parte da cultura humana, seja nacional, regional, ou outra, é rápidamente objecto de atenção e análise, devido à difusão tecnológica, da rapidez das comunicações.


A nova era, em que já estamos vivendo, a era global, tem de Ter como resposta um projecto global de cultura. Isto é, uma dinâmica de valorização, estudo e saber que abarca as diversas àreas da produção e aquisição do conhecimento humano, bem como dos diversos tipos desse mesmo conhecimento, produzido pelas diversas civilizações humanas, que não só a ocidental, tecnológica. Tem de ser um projecto que abarque a mais pequena migalha da “ciência humana” e a transforme em saber total aberta ao mundo.


Não podemos dividir, ou criar estigmas de saber, entre o saber científico (hoje dominante) e os restantes saberes como o filosófico, o artístico, o ético. No momento actual possuimos um conhecimento histórico que nos permite perceber a falibilidade de um saber que assenta só sobre si próprio, excluindo os demais. A tecnologia sem a rede de suporte de um a estrutura cultura ética, de valores, sem uma dimensão libertadora e criativa do espirito humano, será a subjugação das massas ao império da máquina, do consumo, do mero económico.
A cultura é cada vez mais o que produzimos e acrescentamos à natureza, sem deixar de ser, também, aquela quota mais elevada de produção artística e espiritual, onde o belo, o estético e a exigência são valores de medida. Deste modo querer continuar a enfaixar a cultura em estreitas faixas que remetam ora para a popularização (ou como é vulgar dizer-se o “apimbalhamento da cultura”) ora para o limbo da elevação artística, é continuar na pobreza dos conceitos em que modernidade se fechou.


A nova cultura mundial exige de nós espaços abertos, transcendência, historicidade, projecção, sagrado, ética, visão holística, capacidade de síntese e partilha de espaços disciplinares, exige espanto e reorganização do conhecimento, visão cósmica e reconciliação.
Qualquer projecto cultural que não contenha estes elementos, que não se predisponha à abertura e à descentração, que não proponha diálogos e quebra de fronteiras, simbólicas ou reais, é uma tentativa de estancar a história.
O cultural, hoje, abarca o total, e representa o fenómeno civilizacional nas suas características históricas e na sua dimensão criativa e fundadora do futuro.




Bibliografia a ler para aprofundar o assunto:
O Fenómeno Humano- Teilhard Chardin(1998).Editora Paulus, Lisboa.

paineis misteriosos da Sé de Évora

Museu Nacional de Arte Antiga
Os misteriosos painéis da Sé de Évora
A partir de dia 26 de Fevereiro, o retábulo flamengo da catedral eborense vai estar em exposição em Lisboa, revelando-se assim um dos mais surpreendentes objectos de culto do Renascimento.

Fonte: expresso online
http://clix.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/251357

Clube Literário do Porto- Agenda

:: Dia 26 Terça-feira
Auditório
21h30
Conferência «SATORI»
que versa aspectos sobre a fusão e convivência entre o Budismo e o Shintuismo em terras do Sol Nascente.
(da responsabilidade da Associação do Auto Conhecimento).
VOLTAR


:: Dia 29 Sexta-feira
Auditório
21h30
Tertúlia
O Regicídio: problemas e perspectivas
por Maia Marques e Vale de Figueiredo.

Galeria
21h30 - Inauguração.
Exposição de Pintura: «Albedo». óleos sobre tela
de Manuela Mendes da Silva.
Até ....

Poesia por Fernando Soares.


Piano-bar
23h00
Jazz no Clube
Trio Vera Cruz










http://www.clubeliterariodoporto.co.pt/noticias.htm
ART'IMAGEM APRESENTA BABINE, O PARVO

Teatro Art’ Imagem apresentou Babine, o parvo na Quinta da Caverneira, Águas Santas
Maia entre 16 a 22 de Fevereiro

Fonte: todo mundo é um palco

Os Intelectuais e o Fim da História

A questão dos “Intelectuais”, melhor, a questão do papel histórico do intelectual, questão derivada da ênfase atribuída pela formulação Comunista, visando a sedução do pensador pela dinâmica de transformação histórica da sociedade, mantêm-se como objecto de discussão, pelo menos na revisão dos comentários e outra prosa escrita em revistas e suplementos jornalísticos, apesar da notória dessa carga ideológica inerente à derrocada política do Leste Europeu.
Alguns analistas, têm vinculado a ideia de «fim» desses míticos intelectuais, grandes pensadores da história e organizadores das metanarrativas do mundo hodierno, que, prácticamente desde o Iluminismo vinham ordenando as fracturas ideológicas mais importantes no pensamento e acção sócio-política da humanidade, através das suas obras escritas fundamentais, que apresentavam, em simultâneo, um pensamento tendencialmente uniformizante e totalizante, isto é, partindo da análise unidimensional do Homem(ora só psíquica, ora só económica, ora só social, ora só ideológica). Rousseau, Vico, Kant, Hegel, Marx, Sartre, entre outros são expoentes deste tipo de pensamento que formatou a dita modernidade.
Digamos, que a ideia em circulação no mundo das letras e das ideias, na actualidade, é que no tempo histórico que atravessamos a sociedade parece incapaz de produzir pensadores dessa dimensão, dessa grandeza!...

Qual fim da história, antecipado por Fukuyama(afinal um pensador dos nossos tempos...).
No entanto, perdoem-me esses analistas, mas o meu ponto de vista é radicalmente oposto, discordando da situação focal em que o debate está colocado.
Ponto 1: O intelectual será, por definição, não aquele que usa o intelecto, e portanto o pensamento, pois essa é a função inerente a toda a humanidade, mas, pensar o homem em função da sua história, da história do mundo, da sua situação na variedade cósmica, reflectindo sobre os sentidos da vivência colectiva, da organização das sociedades e das formas de evolução/involução humanas, fazendo luz sobre as sombras do presente e as incógnitas do futuro.
Ponto 2: Neste quadro, parecem-me inúmeros os homens que se inscreveram com estas qualidades, desde as profundezas seculares, movendo a humanidade pelos líames da evolução e construção civilizacional.
Ponto 3.: Todo o intelectual se insere num quadro mental que no plano social e cultural se inscreve na sociedade e época em que participa, embora o seu quadro conceptual possa ir muito além dos mesmos; significando isto que não pode ficar imune às influências da sua época, na forma como organiza e expõe as ideias, que material simbólico e ideológico coloca nas suas produções intelectuais. Quero dizer que não podemos comparar num plano meramente teórico, Santo Agostinho e Hegel, ou Padre António Vieira e Eduardo Lourenço. A distância secular e dos modos de vida das sociedades em que se inseriram tornam-nos quase estranhos, no entanto estão irmanados pela pertença à família daqueles que utilizaram o seu intelecto como forma de subir mais degraus na consciência civilizacional, inserindo-se na intemporalidade do pensamento.

Deste modo, e esta é minha tese, não podemos afirmar que pelo facto de os intelectuais de hoje partirem, nas suas obras do seu quadro epistemológico disciplinar, tentando perceber o que os rodeia, alargando progressivamente o seu campo de acção intelectual, deixem pura e simplesmente de serem intelectuais, ou que já não existam mais. Apenas as condições épocais de exercício do pensamento são hoje diferentes, por força da dominância da matriz científica disciplinar que predominou no século XX. Mas, não podemos afirmar que Edgar Morin, Basarab Nicolescu, Fritjof Capra, Boaventura de Sousa Santos, Carl Sagan, entre muitos outros, não sejam intelectuais no sentido global que supra referi, pois todos se inserem num caminho mental de iluminação do conhecimento humano como referi no Ponto 1.

A natureza profunda do intelectual actual está a afastar-se da imagem adquirida entre os últimos dois séculos XIX e XX, das metanarrativas por eles criadas de progresso e utopia baseada na totalização de um vector da acção humana(economia ou política, psicologia ou tecnica, sociologia ou antropologia), porque a sociedade e os seus valores estão a transitar rapidamente de um modelo estável para um modelo volátil, e volatilizado pelo excesso continuo e diário de informação, apelo ao consumo, status, e tecnologização, onde o papel do intelectual procura a sua nova função, sem deixar de existir enquanto pensador autonómo e liberto das amarras do tempo no plano do pensamento, que não no plano da sua vivência social e cultural.
Não estamos no fim da história dos intelectuais, porque aí estaríamos no fim da história da humanidade.
Prometo voltar a este assunto em próximo texto.

Um Mendigo à Minha Porta

Um Mendigo à Minha Porta




Entre as folhas
e as flores
segues
lento de asa
como um cão abandonado.

A brisa aspiras como
um Deus
em pequeno corpo
decantado
do ilusório mundo
quase apartado.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Meditação







"Agora visualizemos com o olho da mente, à distância de aproximadamente um braço à nossa frente e ao nível de nossa cabeça, um grande trono dourado, adornado com muitas jóias. Quando essa imagem estiver nítida, continuem visualizando um puro lótus branco em plena floração pousado sobre esse trono.Essa flor é imaculadamente viçosa e não apresenta absolutamente nenhuma falha nem descoloração. Por dentro os lótus constituem-se de discos, primeiramente o sol e depois a lua. Eles se sobrepõem como duas almofadas redondas. Sobre esse assento especialmente preparado, senta-se o Buda Shakyamuni."


in a Energia da Sabedoria, Lama Yeshe e Zopa Rinpoche

poems






I


Um pranto. Uma pena. Um poeta.
E choramos, nunca tanto,
por quem ousa
intenta libertar-nos
do que nos resta.





II


O som do caminho
passa
e nós com ele
a arrastarmos a vida baça.





III


Há rumores...
Um tempo de medo e cobardia.
Afia soldado, afia, teu cabo e espada
cordel como lança e cabelos
ao vento na crina
aguardam o seu tempo.
Há rumores soldado... sobre
o teu rosto limpo, por quem
os cobardes suspiram a medo.




IV

Os teus olhos reflectem
os dedos afagando-se
em segredo.

A medo o corpo
entreabre a blusa
um suspiro
antes do seu degredo.

sábado, fevereiro 02, 2008

Eu hei-de escrever-te um rio

Eu sei de um poema
que se fez rio algemado...
de um rio algemado
que rasgou a montanha...
da montanha amarratoda
que se abriu em papel de carta...

eu hei-de escrever-te um rio
que não caiba em carta alguma!

eu hei-de beber-te em poema
que não caiba dentro de mim!



José Magro de Melo (pseudónimo)

Poeta do Poesis

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Akhenaton (ainda)


Neferkheperura Waenra Akhenaton - Amenhotep IV
(cerca de 1350 a.C.)



Segundo filho de Amenhotep III com Tiya, o faraó Akhenaton é considerado, por uns, como visionário, revolucionário e idealista; por outros, apenas como herético. Poeta e reformador das artes, a verdade é que ele foi responsável por um dos mais importantes momentos da História do antigo Egito.
É por seu intermédio que pela primeira vez a história da humanidade registra a adoção de um deus único, ou seja, é o primeiro momento conhecido em que o homem adota a figura do monoteísmo. Seu deus Aton era representado fisicamente pelo disco solar.


Fundou uma nova capital, à qual deu o nome de Akhetaton (Horizonte de Aton). Abandona a então capital Tebas, e vai com sua corte habitar a nova cidade-capital, que teve a duração de somente 12 anos aproximadamente.
Akhenaton reinou por cerca de 17 anos, vindo a falecer de forma até agora desconhecida. Embora alguns estudiosos afirmem que sim, até agora não há qualquer dado concreto referente a uma possível descoberta de sua múmia.
Com sua morte, acaba a reforma religiosa, que obteve repercussão no campo artístico e político.


Como conseqüência dessa nova concepção religiosa, o antigo Egito foi palco de uma profunda revolução dos tradicionais cânones artísticos de então, adotando características do realismo e do naturalismo. A partir desse momento, a imagem atlética do faraó é negada, passando então este a ser representado com suas características naturais, às vezes até de forma exagerada, beirando a caricatura. As cenas comuns retratadas referem-se àquelas do seu convívio cotidiano com a família, no palácio ou em adoração ao novo deus Aton.
Casado com Nefertiti, teve seis filhas, sendo que também lhe é atribuída a paternidade de Tutankhaton/Tutankhamon, que seria seu filho com a segunda esposa de nome Kiya.

Egipto: Akhenaton




O Faraó Akhenaton trouxe uma nova concepção de religião monoteísta em louvor a ATON, deus sol e a arte refletiu a nova realidade: as coisas deveriam ser vistas como eram sem convencionalismos.

É desta época também a cabeça da Rainha Nefertiti, esposa do faraó AKhenaton cujo original pode ser visto no Museu de Berlim, Alemanha.